Guia de viagem pelo mundo dos livros

Dora Bruder – Patrick Modiano

“Conviria saber se estava bom tempo nesse 14 de dezembro, dia da fuga de Dora. Talvez fosse um domingo aprazível e ensolarado de inverno como muitos outros em que um sentimento de desafogo e eternidade nos invade – o sentimento ilusório de que o curso do tempo está suspenso e que basta deixarmo-nos escorregar por esta brecha para escapar ao tornilho que voltará a fechar-se sobre nós”.

Dora Bruder – Patrick Modiano

Tudo o que se disser sobre o holocausto nunca será suficiente para descrever aquele acontecimento tenebroso, um dos mais negros da história da humanidade. Com «Dora Bruder», Patrick Modiano, prémio nobel da literatura em 2014, contribui de forma sublime para este esforço de reconstituição.

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Oliver Twist

Há algo de teatral em Oliver Twist. As personagens são estereotipadas e unidimensionais, símbolos absolutos do bem ou do mal, do conforto ou do desamparo, da esperança ou do desespero. O enredo corre sobre os carris de uma série pouco provável de coincidências que se sucedem em catadupa, como se o mundo fosse de facto uma ostra onde tudo se relaciona com tudo. Como Charles Dickens é um escritor magistral, utiliza todos estes problemáticos elementos sem jamais se atolar no pântano da mediocridade. Antes produz um grande clássico da literatura universal, uma obra que não só apresenta um indiscutível valor literário, como assume um papel social importantíssimo ao transportar o leitor até às consequências mais tenebrosas da revolução industrial.

É impossível não sentir empatia pelo desafortunado Oliver Twist, uma criança votada à mais absoluta miséria por um sistema social profundamente injusto, assente em relações de poder de tal forma desiguais que os direitos mais básicos, essenciais à vida humana, são sistematicamente negados a uma parte significativa da população, a qual é implacavelmente culpabilizada pelas estratégias que encontra para sobreviver. «Oliver Twist» é a caricatura de uma sociedade cruel e hipócrita, reflexo da própria experiência de vida do autor. Se a consciencialização é um processo irreversível, quem lê Charles Dickens arrisca-se a ficar irremediavelmente desperto para os meandros mais negros da alma humana, o que, sem qualquer dúvida, foi a intenção do autor.

 “Among other public buildings in a certain town, which for many reasons it will be prudent to refrain from mentioning, and to which I will assign no fictitious name, there is one anciently common to most towns, great or small: to wit, a workhouse; and in this workhouse was born; on a day and date which I need not trouble myself to repeat, inasmuch as it can be of no possible consequence to the reader, in this stage of the business at all events; the item of mortality whose name is prefixed to the head of this chapter”.

 

Título: Oliver Twist

Autor: Charles Dickens

Editora: Publicações Europa-América

Ano: 2005

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