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Um jovem Frederick Engels testemunhou a condição da classe trabalhadora em Inglaterra…

Um jovem Frederick Engels testemunhou a condição da classe trabalhadora em Inglaterra, nos tempos áureos da revolução industrial: “As grandes cidades são habitadas essencialmente por trabalhadores, dado que na melhor das hipóteses há um burguês para dois trabalhadores, frequentemente para três, aqui e ali para quatro; estes trabalhadores não têm qualquer propriedade e dependem exclusivamente dos seus salários, que geralmente vão da mão para a boca. A sociedade, integralmente composta por átomos, não se preocupa com eles; deixa-os tomar conta de si próprios e das suas famílias, mas não lhes fornece os meios para fazer isso de uma forma eficiente e permanente. Qualquer trabalhador, mesmo o melhor, está portanto constantemente exposto à perda de trabalho e de comida, ou seja, a morrer à fome, e muitos morrem desta forma. Os alojamentos dos trabalhadores são em todos os locais mal planeados, mal construídos e mantidos nas piores condições, mal ventilados, húmidos e doentios. Os habitantes estão confinados ao espaço mais ínfimo, e geralmente pelo menos uma família dorme em cada quarto. O interior das habitações reflete diversos graus de pobreza, até à completa ausência do mobiliário mais básico. Da mesma forma, a roupa dos trabalhadores é geralmente parca e frequentemente encontra-se em farrapos. A comida é geralmente má; frequentemente não está em condições próprias para consumo e muitas vezes, ou pelo menos de vez em quando, é insuficiente em quantidade, de tal forma que nos casos mais extremos leva à morte pela fome. Assim, a classe trabalhadora das grandes cidades oferece uma escala gradual de condições de vida, na melhor das hipóteses uma existência feita tolerável pelo trabalho árduo e os bons salários, bom e tolerável, isto é, do ponto de vista dos trabalhadores; nos casos piores, a carência extrema, chegando mesmo à situação de sem abrigo e morte à fome. A média está muito mais perto do caso pior do que do melhor”.

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